Amamentação


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É só percorrer com o olhar as prateleiras em uma loja de brinquedos convencional e verá inúmeras bonecas que tomam mamadeira, porém nenhuma que amamenta. Se você procurar em uma loja de brinquedos educativos talvez possa encontrar alguns exemplares de bonecas artesanais que amamentam.

Mas por quê a amamentação não é vista como algo natural e que pode (e deve) ser ensinado às crianças? Por que todo esse grande tabu com relação a um ato tão importante e belo?

Sim, tabu. Porque há pouco tempo houve a maior polêmica por conta de uma boneca lançada no mercado americano e que pode ser amamentada pela criança através de  um colete com florzinhas no lugar das mamas. Como se isso fosse de alguma forma estimular a sexualidade precoce. A verdade é que toda a questão sexual está na cabeça dos adultos.

Aliás, vamos falar em estimular a sexualidade precoce? Que tal a boneca Barbie? Do alto de suas voluptuosas curvas, ela exibe um rosto maquiado, veste roupas sensuais e tem o Ken (ou seja lá que nome for),  forte e bonitão para ser seu par.

Infelizmente o aleitamento materno ainda é um tema que desperta muito preconceito. Nós, ativistas e especialistas da área, temos um longo caminho de conscientização a ser percorrido. Nada que nos assuste. Muito pelo contrário, nos estimula a lutar para que outras mães consigam ter sucesso e prazer através  da amamentação.

O que assusta, de fato, é ver profissionais no caminho inverso, desestimulando a amamentação exclusiva até os 6 meses e continuada até os 2 anos ou mais. E esse é um cenário que precisa ser mudado o mais rápido possível. Mas não é fácil mudar a mente de uma sociedade que aprende, desde pequena, que o  normal é  alimentar os bebês com mamadeira.

Neste Natal demos para Gabi e para minha sobrinha uma boneca artesanal, que além de amamentar seu próprio filho também o pari naturalmente. Sim, porque é simples, é natural e ninguém precisa se envergonhar disso.

Para quem estiver interessado comprei na Flor do Sul Bonecas e recomendo 😉

Bjs

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Os primeiros dias em casa com o bebê não costumam ser muitos tranquilos.

As mulheres estão sensíveis emocionalmente por conta das alterações hormonais, muitas sentem dores causadas pela cesárea e algumas estão extremamente cansadas pelo trabalho de parto.

Aquele bebê tão pequenino que acabou de chegar e depende completamente dela, está passando pelo quarto trimestre (conhecido como período de extero-gestação) e tem grande necessidade de atenção. É muito normal sentir-se insegura nessa hora, com dúvidas essenciais sobre como amamentar e cuidar dele.

O pai, também imerso em novos sentimentos, tenta entender qual é o seu lugar nessa nova situação e de que forma pode ajudar sua companheira.

Se há um filho mais velho, existe ainda a necessidade de incluí-lo e saber como lidar com o ciúmes natural.

E, além de tudo isso, existem as questões com família e visitas. Como lidar com tanta gente querendo conhecer o bebê?

É neste cenário de adaptações e descobertas que o trabalho da doula pós-parto acontece. Sua principal função é dar apoio físico e emocional à mãe.

Mas não se trata de uma enfermeira ou babá que vêm para cuidar do bebê. O foco da doula são as necessidades primordiais da mulher que acabou de dar à luz. Seu principal papel é empoderar a nova mãe , mostrando o quanto está em sua própria natureza ter todas as condições de cuidar do seu filho. A mulher é encorajada a cuidar do bebê e de si própria.

Para isso, a doula traz sugestões de cuidados com o bebê e estratégias para mobilizar familiares e estruturas para darem à mãe o apoio necessário.

>> Algumas das tarefas da doula:
Auxílio para elaboração do plano pós-parto
Orientações para o início da amamentação
Sugestões de cuidados com o bebê (banho, uso de carregadores, formas de acalmá-lo, rotina de sono)
Acolhimento emocional da mãe sem julgamento
Dicas de como inserir o filho mais velho e o parceiro neste novo cenário familiar
Orientações sobre como mobilizar a família para ajudá-la
Orientação nutricional e dicas para facilitar o preparo dos alimentos
Massagem para relaxamento da mãe

A doula também pode auxiliar a mãe em meio ao caos dos primeiros dias como no preparo de alguma refeição (no caso dela ainda não ter conseguido se alimentar), organização das coisas do bebê, olhar o pequenino enquanto ela consegue tomar um banho tranquila, ou fazer as unhas, por exemplo. Aquele tipo de coisa que quem já teve filho sabe muito bem que às vezes parece impossível de fazer nas primeiras semanas, sabe?

Essa é uma ajuda tão bacana que pode, por exemplo, ser dada por amigas da gestante como presente no chá de bebê (vale doula pós-parto).

As doulas pós-parto são muito comuns nos Estados Unidos e na Europa. E os benefícios de seu apoio durante o início do puerpério têm sido destacados como a diminuição da incidência de depressão pós-parto, maiores chances de sucesso na amamentação, facilidade da adaptação da família com o bebê, pais mais seguros.

Quando contratar a doula pós-parto?

O ideal é que ela seja contratada ainda durante a gestação. Porque é possível conhecê-la melhor em um bate papo gostoso, trocar ideias a respeito daquilo que é importante preparar para achegada do bebê e preparar em conjunto um plano pós-parto. A doula ficará disponível para você nas semanas próximas à data provável de parto.

Mas ela pode ser contratada a qualquer momento, mesmo que o bebê já tenha nascido. Muitas vezes a mãe se vê solitária e insegura precisando de ajuda com urgência.

Cada profissional tem características próprias de trabalho. Pode-se iniciar a contratação de uma doula pós-parto por 3 horas, durante 2 dias, por exemplo. O que pode ser perfeitamente prorrogado se houver a necessidade. Outras profissionais estarão disponíveis para passar períodos de 8 horas com a família, 6 dias por semana.

Como contratar uma doula pós-parto?

Se você tiver interesse em contratar uma doula pós-parto entre em contato comigo. Logo teremos uma página na internet com a indicação do nosso trabalho, mas, enquanto isso, posso indicar colegas que estejam mais próximas da sua residência.

Cena do reality show com mães e bebê do programa Mais Você: mães reclusas e infantilizadas

Cena do reality show com mães e bebês do programa Mais Você: mães reclusas e infantilizadas

O programa Mais Você da apresentadora Ana Maria Braga está com um quadro bizarro com H maiúsculo (piadinha esta do H por conta de um fora dado pela Ana Maria durante um de seus programas).

Nele, mães e crianças entre 1 e 2 anos participam de um reality show confinadas entre uma casa e um quarto de hotel. Sim, a exemplo de outros realities, elas competem entre si para ver quem permanecerá na casa para ganhar o prêmio em dinheiro e participar da campanha publicitária da marca de pomadas patrocinadora do show.

Triste demais ver crianças retiradas de suas casas, longe dos pais, sentindo todo o estresse que suas mãos estão passando por conta da competição. Nada saudável. Nada respeitoso. Exposição muito desagradável, aliás.

Mas o que levou os olhares direto para o quadro foi a participação constrangedora do educador Marcelo Bueno. De forma absurda e desrespeitosa ele disse às mães que estão na casa (e a todas as telespectadoras) que ainda amamentam seus filhos que devem realizar o desmame abrupto assim que seus filhos começam a andar. Com aquela velha história mentirosa de que a criança fica mais dependente da mãe e de que o leite não serve mais como alimento.

Além de ter sido bastante desagradável, o tal educador foi contra todas as recomendações da OMS, UNICEF e Ministério da Saúde. Todos eles incentivam a amamentação exclusiva até os 6 meses e prolongada até os 2 ANOS OU MAIS. Aliás, hoje já se sabe que o desmame nos humanos deveria ser entre os 2,5 e 7 anos de idade. E isso é uma média, claro, porque cada caso é um caso e deve ser respeitado.

Se formos falar de valores nutricionais, então, vemos o quanto o moço está completamente desinformado:
“As crianças que mamam no peito após um ano de idade, no mínimo duas vezes ao dia, conseguem garantir pelo menos 40% das necessidades nutricionais diárias. Além disso, as mães continuam garantindo uma ótima produção de anticorpos para defender essa criança de doenças.” esclarece Sônia Salviano, coordenadora da Política Nacional de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde. Escrevi uma reportagem muito bem repercutida para o Bebe.com onde falo sobre a amamentação prolongada, leia aqui.

O educador também mostrou possuir dons de vidência quando disse que sabe que as mães querem desmamar seus filhos. Não foi o que notamos ao vê-las incomodadas e uma delas chorando depois de sua abordagem desastrosa #fail

Vimos o efeito disso naquele pequeno confinamento. Não sabemos como foi para outras tantas mães que amamentam alegremente seus filhos e assistiram a aquele show de horrores. Perigoso, absurdo, um desserviço. Enquanto lutamos para conscientizar a sociedade sobre os benefícios da amamentação (inclusive prolongada), vem um educador em rede nacional para destruir tudo. Um crime, convenhamos.

Fico pensando se é esta a imagem que os patrocinadores querem vincular às suas marcas: tamanho desacordo com as orientações em saúde pública.

Não assisti, mas fiquei sabendo sobre uma nutricionista que participou deste reality indicando o consumo de açúcar refinado por estes bebês. Oi? Alguém ai leu a Cartilha do Ministério da Saúde sobre alimentação saudável para os primeiros anos de vida? Falta de critério total da produção do programinha, hein?

Mas quero abordar aqui um outro assunto, tão importante quanto a amamentação: a infantilização das MÃES. Aliás, o que esperar de um programa onde o um fantoche de papagaio dá dicas “incríveis” para as mulheres, né?

Aquelas mães foram obrigadas a ouvir as orientações a respeito de uma situação íntima e pessoal de um homem que não é, sequer, um especialista em aleitamento materno. Aliás, duvido que elas tenham manifestado a menor vontade de desmamarem seus filhos antes desse episódio.

Tratadas como alunas em uma sala de aula, como crianças que devem ouvir e obedecer, como pessoas frágeis e sem opção de escolha.

Se você acha isso um absurdo, saiba que é exatamente o que acontece na maioria dos casos quando, por exemplo, uma mãe entra na sala do pediatra e ouve:
>> mãezinha, você tem que
desmamar seu filho
deixá-lo dormindo no berço sozinho
dar a ele todas as vacinas
dar uma vitamina porque ele está meio abaixo da média da curva de crescimento
entrar com complemento porque seu leite é fraco

Ou quando a gestante entra no consultório obstétrico e ouve:
>> mãezinha, você tem que
cuidar do enxoval que do parto cuido eu
vamos falar do parto só no final da gravidez
puxa, como você tem a bacia estreita
você não quer que seu bebê entre em sofrimento, né?
você sabe que o parto normal acaba com sua área de lazer?

Mãezinha não, nunca, jamais! Somos mães dos nossos filhos e qualquer outra pessoa deve nos chamar por nossos nomes, respeitando nossa individualidade.

Chega de infantilizar as mulheres na tentativa de que elas tenham apenas atitudes passivas.

O papel de qualquer profissional é compartilhar informação de qualidade, baseada em evidências. Chega de achismos, chega de privilegiar a conveniência do profissional em detrimento dos direitos de suas pacientes.

Cabe a nós, tomarmos as decisões, não aos profissionais. E a nossa maior arma contra esse tipo de abuso é a informação!

Esta semana escrevi uma matéria para o www.bebe.com.br sobre livros bacanas para pais de primeira viagem.
É uma lista com 15 livros, muitos dos quais já li, e aqueles que ainda não li, pesquisei profundamente para saber se condiziam com aquilo que acredito serem práticas conscientes de maternagem.

Vale a pena dar uma conferida lá:

 

Escrevo este post participando da Blogagem Coletiva prosposta pelo blog Desabafo de Mãe em comemoração da SMAM 2012.

Percebi que muitos mitos envolviam a amamentação quando, em uma das consultas à minha antiga G.O., ela fez questão de avisar: “Se não ler esse livro, não faço seu parto”. O livro era o Nana Nenê , de Gary Ezzo e, francamente, eu não entendi o que ele poderia ter a ver com o meu parto. Mas, curiosa que sou, li o tal livro.
Entre dicas sobre como deixar seu filho dormir sozinho no berço – sim, chorando – e outros aspectos da “moderna maternidade” – que diz que os pais não devem mudar em nada sua vida por causa dos filhos – o livro defendia a rotina e o horário para a amamentação. Então, entendi. Ela queria que eu aprendesse a ter horários de amamentação para que não precisasse procurá-la com dúvidas. “Isso vai evitar que você me ligue pela madrugada”, confessou ela mais tarde.

Os que conhecem minha história sabem: mudei de G.O. e nunca coloquei em prática as ideais do livro – nem recomendo a sua leitura. Mas toda essa história serviu para que eu entendesse que teria que seguir meus instintos sobre o que achasse que seria melhor para minha filha. E, entre essas coisas estão: amamentação em livre demanda, exclusiva até os 6 meses de idade e continuada até quando bem entendermos.

Percebi, então, a importância de disseminar este tipo de informação, muitas vezes distorcida ou condenada por muitos médicos – mesmo que incentivada pelo Ministério da Saúde. Porque, com informação de qualidade, cada mãe tem a liberdade de escolher o que achar melhor para seus filhos e ficar tranquila por ter feito suas próprias e conscientes escolhas.

A amamentação prolongada ou continuada – já que não se trata de algo que está sendo feito além do normal – infelizmente ainda é motivo de muitas controvérsias.

Apesar dos esforços do Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde e UNICEF em tentar promover a amamentação até 2 anos ou mais e exclusiva até os 6 meses de idade, muitos são os médicos e outros profissionais de saúde que aconselham as mães a desmamarem seus filhos precocemente. Não sei se por preguiça em procurar informações atuais e relevantes – há pelo menos 2 décadas se reconhece os benefícios da amamentação continuada – ou por falta de vontade de orientar corretamente essas mulheres, já que dá trabalho explicar sobre amamentação – prescrever o tal do leite em pó é tão mais facinho – o fato é que eles prestam um grande desserviço à sociedade.

Por que a amamentação continuada ainda é vista com algum preconceito e seus benefícios é o tema da matéria que fiz recentemente para o  Bebe.com.br

Vale a pena dar uma conferida lá: http://bebe.abril.com.br/materia/amamentacao-prolongada

O Ministério da Saúde lançou ontem a Campanha Nacional de Amamentação 2012. A campanha, que faz parte da Semana Mundial de Amamentação, tem como objetivos principais incentivar o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade e sua continuidade com alimentos complementares até 2 ano ou mais. 

Este tipo de iniciativa é importante para conscientizar mães, familiares, mas também profissionais da saúde. Infelizmente ainda é muito comum, ver pediatras prescrevendo leite em pó como complemento para bebês, incentivado a introdução de alimentos antes dos 6 meses e condenando o aleitamento materno após um ano de idade. 

Eu tive tristes experiências com médicos que disseram ser absurdo continuar a amamentar Gabriela com mais de 1 ano. Um deles disse que ela ficaria obesa por conta da amamentação continuada, algo completamente refutado por pesquisas científicas. Outros, inclusive uma nutricionista, disseram que meu leite era apenas água, mas dados da UNICEF mostram que, no segundo ano de vida, 500ml de leite materno fornece 95% das necessidades de vitamina C, 45% das de vitamina A, 38% das de proteína e 31% do total de energia que uma criança precisa diariamente. Dentistas falaram sobre a questão de fazer mal para sua arcada dentária, outro mito. E a maior das balelas, que eu estava criando uma criança insegura… quem nos conhece sabe como Gabi é decidida, segura e bastante independente para idade.

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